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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Aborto na Alemanha: como acontece quando não há crime


Na Alemanha, assim como em outros países europeus, a interrupção voluntária da gravidez é permitida até a 14ª semana de gestação. Não é necessário justificar essa escolha, contudo, a gestante deve ser atendida por um serviço de aconselhamento antes de se submeter ao aborto.

A legalidade acaba por diminuir o moralismo que cerca o tema. E, há uns meses, me deparei com esse relato de aborto vivenciado por uma alemã. Chamou-me a atenção a maneira como ela consegue falar sobre sua decisão de forma honesta e podendo compartilhar com pessoas próximas todo o sentimento envolvido neste período.



Abortos acontecem independente da origem, raça, credo e idade da mulher. Acontecem também em lugares em que a prática é criminalizada e moralmente reprovada. Criminalizar a conduta em nada diminui a sua incidência, ao contrário, mulheres acabam morrendo ao se submeterem a procedimentos realizados na ilegalidade. O aborto é hoje, no Brasil, uma das principais causas de mortalidade materna. A legalização acaba por quebrar um tabu em torno do tema e possibilita que as mulheres possam decidir baseadas em um estrutura que lhes dê apoio.

Por achar muito importante que este tema seja debatido e que se possa conhecer a realidade em outros países é que eu fiz essa tradução de um relato publicado no jornal alemão Die Zeit.




ABORTO: “EU VOU TIRAR ISSO”

Duas listras rosas deixaram a vida de Lea Johnens* confusa. Ela está grávida. E tem que decidir, o que ninguém pode decidir por ela. Nove momentos de um aborto”. Nome alterado.


O SEXO
Abortar? Nunca. Até durante os estudos, é possível ser mãe. Isso era o que eu pensava – até ficar grávida. Aconteceu em 23 de dezembro. Meu namorado e eu normalmente usávamos camisinha. Só dessa vez que não. Nós nos descuidamos, assim como as pessoas às vezes se descuidam. Eu havia voltado há poucos dias do meu estágio de Berlim para Colônia. Lucas* e eu pouco tínhamos nos visto e brigávamos muito ao telefone. No Natal nos aproximamos um pouco de novo. Por isso eu sei exatamente a data.


A NOTÍCIA
Depois do Natal, eu tinha muita energia. Quase não precisava dormir, pela primeira vez em anos eu não tinha mais enxaqueca. Não importava o que eu fizesse, o quanto eu bebesse – nenhuma dor de cabeça. Hoje eu acredito que eram os hormônios. Neste período, eu fiz coisas completamente malucas, como dirigir durante quatro horas no Ano Novo para uma festa em Berlim às cinco horas da madrugada. E voltar no mesmo dia. Eu comi Currywurst[1], embora eu seja vegetariana há anos. E logo depois fiquei faminta por Mon Chéri[2]. Como no filme. Foi então que me veio o pensamento que alguma coisa estava estranha. Eu escrevi no meu diário: “Se eu estiver grávida, seria o horror”. Na manhã seguinte, eu fui a farmácia e comprei um teste de gravidez. Apenas por segurança. Eu fiz o teste sozinha no banheiro. Eu sabia como funcionava porque já tinha feito há alguns anos. Com uma diferença: desta vez apareceram duas listras – positivo.


OS PENSAMENTOS
Eu mal podia respirar. Na minha cabeça, de repente, apareceram imagens: eu com bebê, meu namorado, nós como pais. E sempre o pensamento: “Merda, o que eu faço agora?”. Em pânico, eu chamei minha melhor amiga. Ela veio imediatamente com um segundo teste. Ele também deu positivo. Eu corri pela casa, puxando os cabelos e gritando: “Eu não quero ter um filho com o Lucas! Eu não quero ter um filho sozinha! Eu não quero ter um filho de jeito nenhum!”. Naquele tempo, eu morava no sótão de uma casa antiga sem aquecedor, apenas com aquecedor à carvão na sala. Eu imaginava como eu iria subir as escadas com um bebê em um sling e ficar sozinha em um quarto frio. Eu tinha 25 anos, estava no meio dos estudos e não tinha ideia de como queria começar minha vida. Meu namorado e eu havíamos acabado de dar um tempo. Ele havia me traído nas férias de verão, e eu tinha beijado outra pessoa em Berlim. Nós ficamos juntos depois do Natal e esperávamos que fossemos nos aproximar de novo. Mas ambos não acreditávamos de verdade naquilo. E tentar novamente por uma criança seria um motivo ruim.

Minha amiga ficou quieta. Ela me aconselhou a ligar para um ginecologista. A atendente disse: “Ah, que bom. Então venha na terça da próxima semana. E se sua barriga puxar um pouco, é normal. Ela está se expandindo”. A assistente do médico falou comigo como se estivesse falando com uma mulher grávida. Eu não me sentia assim, tampouco queria isso. Eu murmurei “okay”, desliguei e procurei no Google outro médico próximo a mim. Desta vez, fui direto ao ponto: “Eu estou com uma gravidez indesejada e preciso de uma consulta imediatamente”. À tarde eu estava na sala de espera do consultório. Eu sentia as puxadas que a assistente havia me falado ao telefone.


A VISITA AO MÉDICO
 Uma bolinha no monitor da ultrassonografia: “Este é o feto”, disse o médico. “Você está na sétima semana”. Como eu não ri, ele desligou o monitor rapidamente. Eu deveria pensar sozinha se eu queria a criança, disse ele. O importante é apenas: até a nona semana de gestação eu poderia abortar com um comprimido, depois disso eu precisaria de uma intervenção com anestesia geral. Eu engoli a seco. Antes de ir ele ainda me perguntou se eu tinha um companheiro. “Eu também não sei isso agora”, falei. Então ele me deu um conselho: Eu só deveria falar com Lucas, quando eu soubesse o que queria. “É seu corpo, sua decisão e você aguentará as consequências”, ele disse. Eu fiquei surpresa. Meu primeiro impulso seria ligar para meu namorado. Eu refleti: Lucas era 14 anos mais velho que eu. Ele desejava um filho. Eu decidi não dizer nada a ele por enquanto.


A DÚVIDA
Nos dias seguintes, eu falei com minha melhor amiga, meu irmão e minha irmã. Não consegui contato com minha mãe. Ela estava na Suíça – em um retiro silencioso, em que celulares eram proibidos. Eu achei um número na internet e finalmente consegui falar com ela ao telefone. A sua opinião era muito importante para mim. Também porque ela mesma já tinha abortado. Eu sabia que ela não me julgaria. Ela disse: “Se você quiser ter o filho, eu estarei lá por você. E se você não quiser, também”.
Meu pai pensava diferente. “Você não deve abortar”, dizia ele. “Você nunca vai se perdoar”. Sua voz soava dura e isso me machucava. Desde criança eu tinha medo de brigar com meus pais. Eu tentava frequentemente me dar bem com as pessoas, porque não queria decepcioná-las. Desta vez não seria diferente.
  
Cinco anos antes eu já havia acompanhado um aborto da minha melhor amiga na época. Ela tinha 20 anos, grávida e achava que era muito nova para um filho. Ela morava comigo. Depois da operação, ela teve hemorragia. Eu fui com ela ao pronto socorro. Para ela, o aborto foi uma decisão errada. Ela chorava e sempre dizia: “Eu quero meu filho de volta”. Eu tentava consolá-la e tive que ver o seu sofrimento. Eu tinha que pensar agora naquele momento. Eu não queria que me acontecesse também.
  
Antes de se poder abortar na Alemanha, deve-se passar por um “conselheiro de grávidas”. Eu marquei uma consulta no pro família[3]. Na manhã antes da consulta, ao acordar, eu pensei: Okay, eu vou ter essa criança. À tarde, a atendente do pro família me explicou que eu poderia solicitar um apoio financeiro, se eu tivesse um filho. E como funciona um aborto. Ele me perguntou sobre planos para o futuro, sobre meu namorado, sobre a universidade. De maneira muito neutra e sem tentar me influenciar. A conversa correu bem, mas depois o sentimento ruim voltou. Para mim ficou claro: era a primeira vez em minha vida que ninguém poderia me dizer o que é certo ou o que é errado.


A DECISÃO
Eu me sentia realmente mal. Também fisicamente. A energia das primeiras semanas havia desaparecido. Eu tinha que vomitar a todo momento, estava cansada e fraca. Ficava deitada por horas no sofá, colocava minhas mãos sobre a barriga e tentava senti-lo em mim. Eu tentava construir uma conexão com o que estava em mim. Para mim, não era apenas um amontoado de células, mas uma forma de vida. Apesar disso, não considerava o aborto como assassinato. Talvez alguns não consigam entender, mas para mim foi assim. Eu pedia perdão em pensamento. Finalmente, escrevi no meu diário: “Eu tenho a sensação que isso é okay.”

Eu liguei para meu namorado e pedi que ele viesse. Nós não nos víamos havia dias. Lucas não teve tempo de tirar seu casaco e eu disse: “Eu estou grávida mas não vou ter o bebê”. Eu tive medo da sua reação. Que ele pudesse ficar furioso ou sair correndo. Mas em vez disso ele ficou triste e magoado. Porque ele queria aquele filho e não tinha chance de mudar minha decisão. No final, ele disse: “Eu acho isso realmente uma merda, mas se você quer assim, eu aceito isso”. Ele pediu também para me acompanhar no médico. No dia seguinte, marquei uma consulta.


O COMPRIMIDO
Eu fiquei surpresa como tudo correu de forma banal. Eu mostrei para o médico o documento do pro família. Ele perguntou: “Você tem certeza?” Eu assenti, ele me deu dois comprimidos. Um dele eu deveria tomar no consultório. “Ele interrompe o desenvolvimento do embrião”, disse ele. O segundo, eu tomaria três dias depois. “Ele assegura que o útero consiga expelir o tecido”. Um gole de água, um aperto de mão, e eu já podia ir. Eu tive que chorar ali fora. Não porque eu queria voltar atrás de minha decisão, mas porque correu tudo muito rápido. Quando o Lucas me buscou pela manhã, eu estava muito ansiosa. Agora me sentia vazia. Lucas me pegou pelo braço e nós bebemos café juntos. Então ele me trouxe para casa. Foi bom que ele estivesse junto.

Um dia depois minha mãe chegou da Suíça. O médico havia dito que alguém deveria cuidar de mim por conta da hemorragia. Minha mãe trouxe flores e uma vela. Eu estava tão feliz em vê-la.


O SANGUE
Quando eu tomei o segundo comprimido, não durou nem meia hora para que o sangue viesse. Vermelho vivo, com pedaços de tecido. Era tanto. Eu sabia que sangraria, mas não tinha ideia de quão forte seria. Eu não deveria usar absorvente interno, aquilo tinha que sair. Eu estava usando absorvente, mas alguns minutos depois, meu sofá estava todo manchado de sangue. O pior foi que eu tive ainda que vomitar. Os analgésicos não funcionaram, eu gemia, ficou tudo escuro. Durante uma hora eu pensei que fosse morrer. Nunca sofri tanto. Minha mãe ligou para o médico. Ele disse que não era comum. Mas foi porque os analgésicos não pararam em meu estômago. Minha mãe comprou supositórios na farmácia. Cerca de duas horas depois, a dor diminuiu. Depois de uma semana, o sangramento parou. Eu tive que descansar. Também do choque. Eu não imaginei que vivenciaria o aborto fisicamente, quando eu tomei os comprimidos de hormônio. Ainda tive que ir mais uma vez a uma consulta de controle. Esta foi a última vez que estive no consultório.


A LEMBRANÇA
O aborto aconteceu há três anos. No primeiro aniversário, eu escrevi em meu diário: “Hoje tive um sentimento em particular. Como se ‘aquilo’ tivesse aniversário”. Era na verdade um dia de morte. Mas não sentia, em absoluto, desse jeito. E sim como uma despedida de uma possibilidade.

Agora, eu tenho um novo namorado. Desde algum tempo venho me perguntando com mais frequência como seria ter um filho. A minha imagem de mãe não me traz mais medo. Ao contrário. Mas: nunca me arrependi da minha decisão.

*Nome alterado.



[1] Salsicha temperada com curry. Comida típica de Berlim.
[2] Pequenos bombons recheados com cereja e licor.
[3] Sociedade Alemã de Planejamento Familiar, educação sexual e aconselhamento sexual.
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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

De salvador de mulheres a mártir: A mentira do GO humanizado

Ontem saiu a publicação da cassação do seu registro no CRM. Hoje ele já está sendo alçado à mártir do movimento da humanização do parto/nascimento.

E esse texto não é sobre o mérito do processo e sobre as circunstâncias que ele aconteceu, é sobre o posicionamento de muitas ativistas em relação a este fato.

Antes de tudo, parto domiciliar não deveria ser assistido por médico obstetra. Parto não é ato médico. Gravidez e parto não são patologias. O médico somente deveria ser acionado em casos de gravidez de alto risco e intercorrências durante o parto. Um atendimento humanizado deveria, antes de mais nada, ser focado na mulher parturiente (ou em situação de abortamento) e depois em profissionais como a(o) enfermeira(o) obstetra e na doula. A mudança de postura dos médicos que assistem partos deveria ser um reflexo da mudança do sistema, mas não o foco.

Defender a presença de médicos no parto domiciliar é elitista. É elitista demais! Gostam tanto de citar modelos que privilegiam o parto domiciliar como o inglês ou o holandês, mas não se atentam ao fato de que esses mesmo sistemas estão ancorados na valorização do trabalho das parteiras! Médicos não assistem PD’s na Inglaterra nem na Holanda.

Médicos possuem formação intervencionista. Como já dito, eles estão preparados para lidar com intercorrências, com patologias. Se não há patologia, nem intercorrência, não é necessário médico. A sua presença só encarece todo o processo. Por este motivo, não é nem economicamente viável defender que partos domiciliares sejam atendidos por médicos.

Inclusive, o maior problema na assistência ao nascimento no Brasil é a centralização na figura do médico. E esse é o mesmo erro que muitas ativistas do movimento da humanização estão cometendo agora.

E é evidente que a postura dos médicos obstetras deve mudar. É sim necessário que a autonomia da mulher seja respeitada, mas esta é uma briga da humanização da saúde. A horizontalidade entre médico e paciente é uma das pautas desse movimento e abarca todo o sistema médico e não apenas a área ligada à obstetrícia.

Mas, sobretudo, muito me admira a comoção que tal cassação tem gerado. O referido profissional nunca foi de fato humanizado. E nunca foi porque não atende a todas as premissas da humanização do nascimento: medicina baseada em evidências, encarar o ato como evento transdisciplinar e, principalmente, respeitar a autonomia da mulher.

É humanizado aquele abertamente machista? Que não tem vergonha de dizer que o sistema patriarcal salvou as mulheres? E aquele que se coloca como a figura central no atendimento, em evidente confronto à premissa da transdisciplinaridade? Vocês estão lembradas que ele é contra a liberdade contratual da doula né? Que, em suas palavras, doula é como a salada do buffet, vem junto no pacote, comendo ou não...

Ele pode ser um excelente médico. O processo que culminou em sua cassação pode até ter sido injusto. E sua defesa neste sentido é legítima. Mas ele nunca foi humanizado. Transformá-lo em mártir do movimento é um grande erro.

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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O paternalismo que está por trás da Criança Feliz

Século XVIII. França. O cuidado com as crianças não é visto como algo importante. A imensa maioria dos bebês nascidos em Paris é entregue logo após o nascimento para amas[1], retornando à casa de seus pais apenas após a primeira infância. Cerca de 50% dessas crianças não atinge os 10 anos de idade. Os tempos são difíceis e a França precisa de homens para compor o exército, contudo, os jovens sobreviventes do descaso com a infância são em sua maioria pessoas doentes e fracas. Não por acaso, na mesma época surge um movimento de mulheres oriundas da aristocracia e da alta burguesia, denominadas “preciosas”, que começam a refletir sobre questões acerca da igualdade de gênero, fim de casamentos impostos, prazer sexual e, a partir disso, iniciam os questionamentos sobre o papel da mulher dentro da sociedade.

Neste cenário, estes dois fatos são encarados como as ameaças à França patriarcal: não há homens para compor a frente de batalha e as mulheres começam a dar sinais de emancipação.

É então que em 1762, Jean-Jacques Rousseau publica a obra Émile. O discurso trazido neste livro foi uma grande ferramenta para cristalizar ideias de que a família deveria ser fundada com base no amor materno. É um discurso altamente intelectualizado que naturaliza a função doméstica da mulher. Agora, as crianças são novamente cuidadas dentro de casa pelas suas mães. Numa solução que ao mesmo tempo que reduziu a mortalidade infantil também trouxe de volta as mulheres ao espaço privado.

2016. Brasil. O governo lança um programa ironicamente intitulado “Criança Feliz”. Também fundado na suposta preocupação com as crianças, o programa tem por objetivo promover o desenvolvimento infantil. O público alvo será as famílias beneficiárias do Bolsa Família (para gestantes e crianças até 3 anos) e do programa Prestação Continuada (para crianças até 6 anos que foram afastadas de suas famílias por medidas de proteção), portanto de baixa renda, que receberão visitas semanais de técnicos enviados pelo governo e os resultados destas visitas serão condicionantes ao recebimento dos aludidos benefícios. No discurso de lançamento do programa, ouvimos a primeira-dama enaltecer qualidades inatas que mulheres teriam ao exercer o papel de mãe. Além disso, ela se comprometeu a conversar com outras primeiras-damas e prefeitas sobre o programa, em uma explícita exclusão a participação de homens no que tange o cuidado com as crianças. Uma boa análise do discurso do lançamento deste programa pode ser lida aqui.

Foto de André Coelho

Três séculos depois. Países diferentes. Mas o mito do instinto materno é novamente usado para reforçar a ideia de que mulheres são maternais, que o seu lugar biológico é no cuidado. Mulher como primeira-dama e não como governante. Homens no espaço público e não se preocupando com os cuidados na infância. Não é pelas crianças. Nunca foi pelas crianças. Trata-se sempre de controle social. De medidas que docilizam, submetem e conformizam individualidades. Parece exagero? Então analisemos o programa Criança Feliz.

A motivação do programa foi resumida da seguinte forma:
"Estudos longitudinais de acompanhamento da população ano após ano mostram que as habilidades mais importantes se organizam muito cedo, depois elas têm mais dificuldade de se organizar, de se estabelecer. Então, o impacto que tem uma infância bem cuidada é enorme no desenvolvimento, na aprendizagem, na escola, no sucesso profissional, nas competências que o ser humano vai ter no restante da vida. Por isso que é importante a gente acoplar esse programa com o programa que trata com a população mais vulnerável, o Bolsa Família para poder impactar a longo prazo e essas famílias saírem da condição de pobreza, a longo prazo, quando seus filhos tenham um desempenho profissional melhor que o deles e ajuda toda a família a sair [da vulnerabilidade]."

Portanto, o programa foca em “habilidades importantes” que em um primeiro momento não traz um sentido muito preciso, mas que após se traduz também em “sucesso profissional”, lembrando que o público alvo do programa é a “população mais vulnerável”. Que tipo de programa é esse que tem dentro de suas principais medidas o acompanhamento SEMANAL e DOMICILIAR da população de baixa renda com fim de promover sucesso profissional nas crianças??? Ainda, importante destacar que a apresentação do projeto foi voltado às mulheres, sempre apelando para o mito do instinto materno, e inclusive convocando apenas mulheres da administração para compor o comitê que traçará os rumos do programa.

Este programa evidencia que o governo entende que a responsabilidade pelas crianças é exclusivamente das mães e que estas, por serem pobres, se mostram incapazes de cuidar de seus filhos. Escancaradamente, trata-se de um programa paternalista que sem ao menos ouvir essas mulheres, dita mecanismos que irão influenciar diretamente nas suas vidas. Não há outra explicação. Se houvesse, estaríamos falando em programas que incentivassem a participação dos homens na criação dos filhos através da criação da licença parental ou mesmo da ampliação da licença paternidade. Ou então em programas que investissem na criação de creches com educadores bem remunerados e com estrutura para atender bem as crianças. Ou mesmo algum investimento em transporte público de modo que os pais não perdessem tanto tempo no trajeto casa-trabalho. Poderia ser também um programa que garantisse saneamento básico e uma estrutura de moradia que garantisse a saúde dessas crianças. Ainda, se o problema fosse dificuldade no acesso à informação e apoio, que se investisse na contratação de médicos da família, de psicólogos e de assistentes sociais que estivessem à disposição quando procurados e não que estas visitas fossem feitas de maneira invasiva e obrigatória como se está sendo proposto.

Mas quando o governo entra SEMANALMENTE na CASA da população pobre com fim de orientar a MULHER sobre a criação dos filhos, a mensagem que temos é que a única responsável pela criação dos filhos é a mãe. Que os pais não são foco do programa, tampouco a estrutura da cidade importa para que as crianças cresçam em segurança, tanto afetiva como material. Ou seja, o programa isenta o GOVERNO e os HOMENS dos cuidados com os filhos e implanta um projeto PATERNALISTA[2] que culpabiliza mulheres pobres e mães. Culpabiliza porque o programa é focado em um atendimento pedagógico à mulher mãe fazendo crer que qualquer “desvio” na conduta dos seus filhos advém de algum desvio na sua própria conduta. Como se a falta de estrutura, a qual deveria ser prestada pelo Estado, não fosse o principal causador de lesões aos direitos das crianças.

Criança Feliz nada mais é do que um programa de controle social, que tem por fim garantir a conformidade do comportamento dos indivíduos, com traços tão poucos sofisticados que fariam Michel Foucault ruborizar.

E é também um programa que fere a autonomia da mulher periférica, em sua maioria mulheres negras. Além de não terem direito sobre o próprio corpo - já que o aborto é ilegal e inseguro para as mulheres pobres-, além de serem torturadas no momento de parir - em vista das práticas normatizadas de violência obstétrica seguidas pela maioria dos hospitais públicos-, agora essas mulheres receberão visitais semanais de agentes do governo que lhe dirão como devem criar seus filhos!

E concordo com o discurso de Marcela Temer quando diz que a infância é uma fase fundamental da vida de qualquer ser humano. Concordo também que deva ser um programa voltado ao atendimento das mulheres, já que elas são maioria das beneficiárias do Bolsa Família e frente ao tão frequente abandono paterno. Contudo, há maneiras de atender a primeira infância sem imputar às mulheres a função exclusiva no cuidado e sem ferir a sua autonomia. É possível também olhar para a criança desde o nascimento enquanto ser humano portador de direitos e não apenas como um devir, um projeto de investimento.

É preciso apoio e estrutura para conseguir criar os filhos. Não será através da tutela das mulheres periféricas que as crianças terão uma infância com mais amparo. O posto de belas, recatadas e do lar foi muito bem aceito a três séculos, masnão hoje. Não. Hoje não passarão!




[1] 1780: o tenente de polícia Lenoir constata, não sem amargura, que das 21 mil crianças que nascem anualmente em Paris, apenas mil são amamentadas pela mãe. Outras mil, privilegiadas, são amamentadas por amas-de-leite residentes. Todas as outras deixam o seio materno para serem criadas no domicílio mais ou menos distante de uma ama mercenária. (BADINTER,1981).
[2] Paternalismo, em sentido lato, é um sistema de relações sociais e trabalhistas, unidos por um conjunto de valores, doutrinas políticas e normas fundadas na valorização positiva da pessoa do patriarca.
Em sentido estrito, o paternalismo é uma modalidade de autoritarismo, na qual uma pessoa exerce o poder sobre outra combinando decisões arbitrárias e inquestionáveis, com elementos sentimentais e concessões graciosas.
Para o Direito Constitucional, o Estado paternalista é aquele que limita as liberdades individuais dos seus cidadãos com base em valores axiológicos que fundamentam as imposições estatais. Desta maneira, se justifica a invasão da parcela correspondente à autonomia individual por parte da norma jurídica, baseando-se na incapacidade ou idoneidade dos cidadãos para tomar determinadas decisões que o Estado julga corretas. (Fonte: Wikipedia)
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Todas nós somos mães abusivas

Todas nós somos mães abusivas. Em maior ou menor grau, todas acabamos por abusar do poder de autoridade que nos é investido assim que nos tornamos mãe. E não porque essa seja uma condição inata da maternidade, e sim porque a característica iconoclasta a qual o papel de mãe foi alçado é algo inatingível. Tentar dar conta do papel de mãe que nos é imposto acaba, quase que inevitavelmente, em impingir abusos aos filhos que estão sob nossa autoridade.

A exclusividade do cuidado delegada às mães é algo que investe tanto poder numa atividade que nunca poderia ser exercida por uma só pessoa. Cuidar deveria ser sempre um verbo conjugado no plural. Dar conta de uma ou mais crianças é uma atividade tão exaustiva que exercê-la sozinha é uma missão fadada ao fracasso. Porque cuidado que é exercido por uma só pessoa exige que ela renuncie a todas as suas outras características para se tornar apenas cuidadora. Deixa-se de ser mulher para assumir apenas a condição de mãe.

Imagem do filme "Coraline"

E quando falo nessa exclusividade do cuidar não me refiro apenas às mães solteiras, falo do papel de mãe que nos é apresentado hoje. Falo da mentira do instinto materno, que hipocritamente presenteia mulheres com um dom único, o de cuidar. Eleva-as à posição da sacralidade. Preenche de maneira plena sua feminilidade. Em contrapartida, deixa homens livres para se eximirem do cuidado e tomarem o espaço público, já que para conquistar o título de bom pai basta que se troque fraldas.

Por outro lado, a figura da boa mãe é tão perfeita que dificilmente se conhecerá alguma, todavia, ludibriadas pelo mito do amor materno, estaremos todas dispostas a acreditar que possamos também conquistar tal título. E nesta busca cruel pelo reconhecimento fazemos reféns as crianças.

Qualquer comportamento supostamente reprovável de uma criança é logo imputado à maneira como a mãe educa. Sendo assim, filhos saudáveis, gentis e articulados seriam a prova de que a mãe fez um bom trabalho. Seriam, porque na falha a mãe será sempre a culpada, mas no êxito as causas são diversas.

E como conseguir filhos espelhos? Como fazer deles a prova de que passamos no teste da boa mãe? Doutrinando. E toda doutrina, seja ela deliberada ou não, vem marcada por abusos e excessos.

Portanto, não é a maternidade que é eivada de abuso, e sim a forma como exigimos que ela seja exercida que cria um ambiente favorável a ele. Mudar a forma como lidamos com a maternidade e, consequentemente, esvaziar o papel que atribuímos à mãe se mostra urgente.

O esvaziamento do papel de mãe é algo libertador não só para mulheres como também para seus filhos. A pluralidade no cuidado liberta a mulher para ser além da maternidade. Fornece à criança ferramentas para poder diferenciar práticas de cuidado abusivas das respeitosas. Porque saber reconhecer a violência consiste em um bom sinal de sanidade. Porem, quando se vive em um único ambiente, naturaliza-se as práticas ali exercidas, como se não houvesse realidade além daquela. Vivenciar a pluralidade, para além de outros benefícios, faz com que se crie um repertório capaz de reconhecer o abuso.

E é também por isso, que venho me convencendo que a forma como encaramos a maternidade hoje não só aprisiona as mulheres, mas também a seus filhos. Que a responsabilidade pelo cuidado não seja exclusiva de ninguém, que seja coletiva. Que não seja um fardo, que seja terno.
Este texto se originou após reflexão sobre este texto que, por sua vez, surgiu em virtude deste outro.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Besame Mucho: Como criar os seus filhos com amor - Resenha

Devo dar colo ao bebê sempre que ele chora ou que sinto vontade? Ele não irá se tornar um pequeno tirano por conta disso? Quando devo desmamá-lo? É saudável deixar o bebê dormir na mesma cama que seus pais? Até que idade essa situação deve perdurar? Como devo impor limites aos meus filhos? As crianças são cruéis por natureza?

A resposta a estas indagações dada por amigos, familiares e médicos vai de encontro àquilo que você intuitivamente sente? Então, experimente ler este livro.

Besame Mucho é um livro do pediatra espanhol Carlos Gonzalez que acredita não ser necessário aos pais livros de puericultura. No entanto, em meio a tantas informações desconexas e a bestsellers que preconizam haver uma disputa real entre pais e filhos, Carlos Gonzalez vem para acalantar e encher de amor o coração de pais que acreditam que seus filhos são essencialmente bons e que nessa relação não há disputa e sim interesses complementares:


Este livro que até há bem pouco tempo não tinha versão impressa para venda em português, me serviu de alento quando parecia que toda minha intuição ia de encontro com as recomendações sobre se cuidar de um bebê. Carlos Gonzalez reafirma a capacidade dos pais em criar seus filhos ao mesmo tempo que defende que os chamados da criança são legítimos e não manha ou um desejo incontrolável de manipular os pais. Afinal, não somos nós que estamos o tempo todo lendo e nos informando sobre criação dos filhos? Então, quem estaria tentando manipular quem nesta relação?

Ainda, o livro aborda esse sentimento excessivo de culpa que ronda as mães atualmente. Por que os cuidados são atribuídos quase que exclusivamente a elas? A quem interessa essa lógica que coloca as mães como culpadas pelas falhas na maternagem?


Definitivamente, este é um livro que está em defesa das crianças, assim como está em defesa dos pais. Carlos Gonzalez foi muito sensível em demonstrar que é possível cuidar das crianças sem vê-las como inimigos. Ao contrário, crianças são seres humanos carentes de atenção, respeito e amor.

Este livro é, sem dúvida, o melhor livro de puericultura que já li até hoje. Se pudesse, presentearia todos os pais com ele!

A versão física e em português pode ser encontrada aqui.

E a lista completa de livros sobre maternidade, inclusive com outras resenhas deste blog, está disponível aqui.



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O Livro da Maternagem - Resenha

Este foi o livro que me abriu as portas para o início de outras leituras sobre maternidade. Ele foi idealizado por uma pediatra, a Drª Thelma de Oliveira conhecida como Drª Relva, e foi inspirado em uma comunidade formada no Orkut, a Pediatria Radical. O livro é uma coletânea de textos sobre os mais variados assuntos que envolvam a maternagem escritos pela Drª Relva ou por outras mulheres que de alguma forma estavam ligadas pela comunidade virtual.

O resultado é um livro que preza pela maternagem com respeito à criança e a seus cuidadores, numa linguagem super acessível e que foge ao senso comum. Ele é imenso e conta com mais de 700 páginas, mas é feito para ser lido à medida que a curiosidade vai aparecendo. Como dito, os temas são bastante variados, e vão desde gravidez, parto, amamentação, sono, cuidado com o bebê, com a criança, introdução alimentar, passando por início da escolarização, obesidade infantil, papel do pediatra até a chegada de um irmãozinho. Conta ainda, com uma vasta bibliografia. Portanto, é um livro muito bacana para se ter sempre à mão para uma eventual consulta.

Para quem se interessa por um exercício da maternagem que foge aos padrões doutrinários e consumistas, ele é um prato cheio! Ressalto, que não se trata de um manual, tampouco uma cartilha sobre criação de filhos, ele é sim uma ferramenta que ajuda a lidar com situações de acordo com a realidade de cada criança e de seus pais. Inclusive, é uma excelente opção de presente para amigos que estão se preparando para serem pais.


Para saber mais sobre o livro, recomendo esta leitura. E ele pode ser encontrado aqui.


Por aqui tem também resenha do livro Sermões de Ser Mãe e Eu não quero (outra) cesárea. E a lista completa de livros sobre maternidade.







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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

SMAM 2015: Apoio à mulher que trabalha e amamenta

Quem vê a cena de uma mulher serenamente amamentado não sabe se, ainda durante sua gravidez, a expectativa sobre o sucesso da amamentação era angustiante. Se acordava de madrugada pensando se teria leite suficiente, se conseguiria amamentar, se o leite não seria fraco, e que tudo isso poderia ser uma tortura.

Quem vê um bebê adormecer placidamente ao seio não vê a mulher que há meses não dorme uma noite inteira. Não imagina as dores que ela possa ter sentido nos primeiros meses de amamentação, que apesar da dor, do empedramento do leite, do seio escorrendo sangue, ela pode ter persistido e conseguido continuar amamentando.

Quem vê uma mulher amamentando desinibida em lugar público não se pergunta sobre a rede de apoio que foi necessária para que ela continuasse a ter momentos tão cheios de amor com seu bebê. Se havia um(a) companheiro(a) que acordava junto com ela para acalmar o bebê que chorava, se tinha amigos que passaram na sua casa e trouxeram comida quentinha quando ela se via perdida na casa suja em meio aos choros e à solidão do puerpério. 

Quem vê um bebê já grande sendo amamentado, não questiona sobre os colegas de trabalho de sua mãe que fizeram todo o possível para que ele seguisse mamando mesmo ela tendo de voltar à jornada antiga. Quem vê essa cena, não tem a mínima noção do quanto é sacrificante persistir amamentando mesmo com olhares e comentários de reprovação.

Quem vê uma mulher amamentando, não imagina a satisfação e a felicidade que é ver o bebê engordar e crescer loucamente somente com o leite produzido pelo seu próprio corpo. 

Ao mesmo tempo, quem vê um bebê segurando bravamente sua mamadeira, nem pensa se sua mãe, por conta da mastite, viu seu leite se misturar à sangue e pus, e se gritou dores lancinantes e desistiu da amamentação. Ou se via seu filho mamar incansavelmente mas não se satisfazer com o leite que brotava do seu corpo e acabou optando pela complementação.

Quem vê uma mulher dando mamadeira ao seu bebê, não pensa em questionar a indústria do leite artificial que insiste em fazer as mulheres acreditarem que seus corpos são falhos e patrocinam até mesmo os pediatras para lhes fazerem pensar assim.

Quem vê uma mulher com seu bebê nos braços a apoiar uma mamadeira, não imagina que a despeito da ausência dos hormônios da amamentação, é também possível criar vínculo e laços de amor ainda que ausente a sucção ao seio.

Quem vê uma mulher que não conseguiu amamentar, esquece de perguntar se teve alguém que lhe limpasse a casa, lhe fizesse comida, lhe desse palavras de apoio, lhe chamasse para conversar e fazer um passeio, lhe oferecesse o ombro para chorar as angústias nunca antes vividas.

Porque amamentar é antes de tudo um evento coletivo. Cada mãe que possui uma história bem sucedida de amamentação tem por detrás de si toda uma rede de apoio. E por saber que a minha história bem sucedida é uma vitória coletiva, é que é tão importante saber acolher quem não conseguiu amamentar. Enxergar os meus privilégios e reconhecê-los como tais, faz com que o meu olhar sobre o outro seja de empatia e não de julgamento. Porque o aleitamento está além de ser uma escolha individual, visto que é algo que depende intimamente do apoio que se recebe.

E por ser o aleitamento algo tão importante para o bebê e o apoio tão determinante para esta conquista é que devemos lutar para que o apoio ao aleitamento materno seja cada vez maior e que perpasse todas as esferas da nossa vida, seja ela familiar, social, legislativa ou corporativa.

E, ainda, por saber que muitas mulheres para conseguirem maternar precisam trabalhar, ou mesmo, para se realizarem com a maternidade precisam também se sentirem realizadas com sua vida profissional, que é importante dar suporte à mãe que amamenta e que trabalha.

Por este motivo, aproveito a Semana Mundial do Aleitamento Materno de 2015 que tem como mote o apoio à mulher que trabalha e amamenta para agradecer imensamente a toda a minha rede de apoio que tem me acolhido nessa caminhada que já dura mais de dois anos e meio.

Agradecer ao meu marido que esteve prontamente ao meu lado sendo a base da nossa relação de amamentação, auxiliando sempre desde a simples oferta de um copo de água até resolvendo todos os perrengues que estavam além da díade mãe-bebê. Que, além disso, tem sido fundamental na condução do desmame que há pouco se iniciou.

Aos meus colegas e amigos de trabalho que prestaram apoio incondicional a mim e ao Daniel quando tivemos que voltar ao trabalho já nos seus quatro meses de vida. Voltamos juntos, com sala, berço e muito colos e abraços emprestados.

À minha mãe que sempre esteve tão presente desde o nascimento e que já há algum tempo passa noites com o Daniel para que possamos dormir noites inteiras, ou mesmo não dormir e relembrar a vida de quando ainda éramos somente filhos.

À pediatra mais linda que já conhecemos que sempre buscou antes de aconselhar, ouvir. Que nunca desincentivou o aleitamento, pelo contrário, sempre deu forças para que ele se mantivesse enquanto julgássemos necessário.

E aos amigos que não se afastaram. Que mesmo com nossa mudança radical de vida e já cansados de tanto me ver com os peitos de fora, continuaram a nos proporcionar boas risadas e momentos que só encontramos com aqueles que escolhemos ser irmãos.

Por tudo isso, nesta semana tão especial, desejo apoio às mães que amamentam e acolhimento às que não conseguem.


E por aqui já teve texto sobre amamentação, machismo e misoginia.

E muitas dicas do Dr. Carlos Gonzalez para o sucesso do aleitamento.
Continuar lendo "SMAM 2015: Apoio à mulher que trabalha e amamenta"

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Livros sobre maternidade


Segue abaixo a relação de livros sobre maternidade que já tive oportunidade de ler (ou que estão na fila para isso) e minha avaliação sobre eles:




1.    Alice Miller

A revolta do corpo

Avaliação: Na fila para leitura









2.    Alice Miller

A verdade liberta

Avaliação: «««««






3.    Alice Miller

O drama da criança bem dotada: como os pais podem formar (e deformar) a vida emocional dos filhos

*Não se deixe enganar pelo título! A tradução foi muito infeliz. O título original é “Das Drama des begabten Kindes: Und die Suche nach dem wahren Selbst.” Que poderia ser traduzido para: “O drama da criança sensível: e a busca pelo eu verdadeiro

Avaliação: «««««ô





4.    Alice Miller

Não perceberás: variação sobre o tema do paraíso

Avaliação: «««««










5.    Alice Miller

No princípio era a educação

Avaliação: «««««










6.    Carlos González (Leia a resenha aqui!)

Bésame mucho: Como criar seus filhos com amor

Avaliação: «««««ô










7.    Carolina Pombo

A mãe e o tempo

Avaliação: «««¶¶








8.    Donald W. Winnicott

Os bebês e suas mães

Avaliação: ««««








9.    Elisabeth Badinter

O Conflito: A mulher e a mãe

Avaliação








10. Elisabeth Badinter

Um amor conquistado: o mito do amor materno

Avaliação«««¶¶










11. Laura Gutman

Maternidade e o encontro com a própria sombra: o resgate do relacionamento entre mães e filhos

Avaliação: «««¶¶







12. Laura Gutman

Mulheres visíveis, mães invisíveis

Avaliação: «««¶¶







13. Laura Gutman

O poder do discurso materno

Avaliação: ««««







14. Ligia Moreiras Sena e Andréia C. K. Mortensen

Educar sem violência: criando filhos sem palmadas

Avaliação: ««««







15. Luciana Benatti e Marcelo Min

Parto com amor: Em casa, com parteira, na água, no hospital. Histórias de nove mulheres que vivenciaram o parto humanizado.

Avaliação: «««««






16. Luciana Carvalho (Leia a resenha!)

Eu não quero (outra) cesárea: Ideologia, relações de poder e empoderamento feminino nos relatos de parto após cesárea

Avaliação«««««







17. Mariana de Lacerda (Leia a resenha!)

Sermões de ser mãe

Avaliação«««««










18. Michel Odent

A cientificação do amor

Avaliação: Em leitura









19. Thelma de Oliveira (Dr. Relva) (Leia a resenha!)

Avaliação: ««««







   20. Ulrich Koch

Vacinar sim ou não? Na infância e na idade adulta – Orientação na perspectiva homeopática

Avaliação: ««««






Legenda de Avaliação:
«««««ô    = Fodástico
«««««       = Excelente
««««       = Muito bom
«««¶¶       = Bom
««¶¶¶       = Regular
«¶¶¶¶       = Ruim





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